TOP10: Os melhores álbuns de rock cristão nacionais da história

Elaborar uma lista coerente a respeito de um assunto abrangente é sempre um desafio. E, não poderia deixar de ser a respeito do rock cristão nacional. Marcado por várias fases e estilos, muitos artistas e bandas fizeram história com bons álbuns.

O rock cristão nacional começou, com base no que é conhecido em 1970, com o Êxodos, ao qual foi a primeira banda que, além da proposta musical jovem da época, utilizou-se de vertentes do rock. Mais tarde, Sinal Verde, Rebanhão, Sinal de Alerta, Banda Azul e outras foram as responsáveis pela divulgação do gênero do país, até chegarmos ao auge com os grupos Oficina G3, Resgate, Fruto Sagrado, Katsbarnea e Catedral.

Apresentamos, aqui dez álbuns que marcaram história, considerando os seguintes critérios: musicalidade, conceito e impacto na mídia cristã. Os discos com influências diretas e/ou predominantes do metal e derivados não são incluídos.

10º: Espelho nos Olhos – Banda Azul (1988)

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A banda Azul, no geral sempre mesclou vários gêneros musicais, e apresentou álbuns de qualidade mediana. Porém, durante o curto tempo em que foi liderada por Janires, lançou o projeto que marcou o nome do grupo mineiro na história do rock cristão nacional: Espelho nos Olhos.

Além do característico rock progressivo, comum nas obras de Janires, o álbum mescla new age, pop rock e música popular brasileira. As letras são poesias, ou reflexões críticas, como a canção “Coração Azul”, a respeito dos maus frutos da ditadura militar. “Foi por Você”, com sua pegada um pouco reggae e os versos irreverentes ficou marcada na carreira da banda Azul. Por importância histórica, é o último disco gravado por Janires em vida, amplamente reconhecido como um dos ícones mais importantes na história da música cristã nacional.

9º: Cristo ou Barrabás – Katsbarnea (1992)

Cristo_ou_Barrabás_-_Katsbarnea

Após o sucesso do primeiro álbum, produzido por Maurício Domene, a banda apresenta o seu segundo álbum, com fortes diferenças musicais em relação ao anterior. Forte presença do rock experimental, a produção musical de Rick Bonadio e a saída de todos os vocais de apoio femininos. Como de costume, a essência da banda está concentrada em Brother Simion, que assina todas as letras junto com Estevam Hernandes (exceto Shine on your face em que escreve sozinho). Jadão estreia como baixista oficial da banda.

Durante os shows, a formação foi: Brother Simion (vocal/guitarra base), Jadão (baixo), Paulinho Makuko (bateria) e Tomati (guitarra solo).


8º: Praise – Resgate (2000)
Resgate

O amadurecimento da banda estava em grande evidência desde Resgate (1997), mas neste projeto o Resgate tentou fazer algo diferente: mesclar o rock londrino, característico de sua sonoridade para letras worship. A junção deu certo e garantiu boas canções, como as clássicas “Infinitamente mais”, “O nome da Paz”, “Restauração” e “Sete Dias”.

Destaque para o hammond nas canções e os riffs de Hamilton Gomes e Zé Bruno. Foi lançado pela Gospel Records, assim como os títulos anteriores.

7º: Princípio – Rebanhão (1989)

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Apesar de não apresentar apenas canções de rock em seu repertório, fato é que o Rebanhão foi a banda responsável por divulgar o gênero pelo país e inspirar vários conjuntos. Princípio, assim como um bom disco do grupo, apresenta canções e arranjos do trio que compõe a formação clássica do Rebanhão: Carlinhos Felix (vocal, guitarras e violões), Pedro Braconnot (vocal, teclados, pianos e sintetizadores) e Paulo Marotta (baixo). Também, como importância histórica, foi o primeiro álbum da música cristã nacional a ser lançado no formato CD.

É o primeiro trabalho da banda em que Pedro Braconnot é autor da maioria das canções. O destaque também vai para o tecladista, com a autoria de “Palácios”, regravada por vários artistas do meio cristão. Também, o new age de “Fronteiras” e a crítica de Paulo Marotta em “Muro de Pedra” é interessante. Aliás, é a primeira composição de Paulo em toda a carreira da banda. “Metrô”, com base em um piano também apresenta reflexões sobre as bebidas alcoólicas e a superficialidade do desabafo dos males da vida. “Grito de Silêncio” e “Selo do Perdão” são baladas pop rock do estilo que bem caracteriza Carlinhos Felix.

6º: O que na Verdade Somos – Fruto Sagrado (2003)

Fruto Sagrado - O Que na verdade Somos (2003)

É de conhecimento geral as várias crises que o Fruto Sagrado vivia na época. Embora estivesse no auge da popularidade, o processo que sofreu da Salmus Produções foi o primeiro ponto que levou a desentendimentos entre os integrantes. Para piorar a situação, o contrato com a MK Music passou a ser mau visto por muitos, além das discordâncias musicais entre os novos integrantes, Sylas Jr. e Bene Maldonado com os antigos, principalmente Bênlio Bussinguer.

Embora tudo a isso, o Fruto Sagrado conseguiu apresentar um álbum mais “pesado” que os anteriores, em todos os sentidos. Letras de crítica pesada a religião e a identidade dos cristãos, e a mesclagem de novas sonoridades, como o new metal e a música eletrônica. Enquanto Marcão prosseguia como o autor da maioria das letras, Bênlio mostrou-se extremamente insatisfeito com o “novo” Fruto Sagrado, sentindo-se cada vez mais excluído do processo criativo do conjunto. Em um fórum da internet, afirmou que a maioria dos teclados gravados para o álbum foram removidos por Bene. A situação chegou a ser tão extrema que Bussinguer e Marcão discutiam em público pelas redes sociais e fóruns. Logo após o lançamento do álbum, Bênlio recebeu “férias forçadas”, enquanto o restante do grupo cumpria agenda. Segundo o próprio, foi expulso da banda, enquanto a MK Music abafou o caso. Mais tarde, Marcão processou Bênlio, mas perdeu na justiça.

5º: O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar – Fruto Sagrado (1995)

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Com a “síndrome dos dois anos”, intitulada por Marcão para definir as constantes mudanças de guitarristas na banda, o Fruto Sagrado prosseguia tocando com músicos convidados, enquanto Bênlio atuava nos teclados e guitarras, quebrando um galho. A chegada de Bene Maldonado na formação cortou estes paradigmas e estabilizou, durante o tempo a formação da banda.

Enquanto isso, o Fruto Sagrado estava sendo intensamente influenciado pelos trabalhos da banda Dream Theater. Segundo Marcão, as composições do grupo foram o pontapé inicial na produção de O que a Gente Faz Fala Muito Mais do que só Falar, já diferente pelo título. Composições com mais críticas sociais que o anterior, mas com um estilo letrístico mais indireto. “Bomba Relógio”, por exemplo aborda o vírus da AIDS, enquanto “The First Stone” o preconceito religioso. “Podridown” foi uma crítica aos políticos e a corrupção, e “Amor de Deus” acabou tornando-se o single do projeto.

O álbum não teve a mesma receptividade do público como o anterior, principalmente por conta das composições. Embora a banda estivesse satisfeita pela vibe, o grupo desistiu de manter o estilo nos álbuns seguintes por conta do público.

4º: Indiferença – Oficina G3 (1996)

Indiferença

A entrada do tecladista Jean Carllos, e a produção musical de Paulo Anhaia são dois pontos diferenciais de Indiferença em relação ao álbum anterior, Nada é tão novo, Nada é tão velho. Juninho Afram, aqui mostra o porquê é reconhecido como um dos melhores guitarristas brasileiros, com o solo de “Glória”. O músico também foi o autor da maioria das músicas, destacando-se o clássico “Espelhos Mágicos”, até hoje o maior sucesso da Oficina G3.

Luciano Manga, com seu jeito peculiar de interpretar abrilhanta as canções mais pesadas, como a faixa-título, com a crítica social a respeito da marginalização nas ruas. As baladas também são de alta qualidade, como “Magia Alguma”, e embora o sotaque de Juninho atrapalhe um pouco “Your Eyes”, não destoa a enorme beleza musical no arranjo. Até hoje, é considerado, com justiça, principalmente pelos mais puristas como o melhor trabalho da banda.


3º: On The Rock – Resgate (1995)
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Mais uma vez, uma produção de Paulo Anhaia figura esta lista. On The Rock, é sem dúvida é um ponto alto na discografia da banda. A sonoridade está bem melhor em relação a Novos Rumos, e isto reflete o amadurecimento do conjunto. É também, curiosamente o álbum mais pesado do Resgate, com influência direta do hard rock. Aqui o grupo também apresenta alguns clássicos, como “5:50 AM”, “Tempo”, “Solidão” e “Palavras”.

Definitivamente, apesar da banda não seguir o mesmo estilo musical nos próximos, foi um ótimo resultado experimental do Resgate, e está marcado como um dos melhores álbuns cristãos da década de 90. A maior parte das canções deste disco são cantadas até hoje nos shows, algumas inclusive dentre as mais pedidas, e também regravadas.

2º: Mais Doce que o Mel – Rebanhão (1981)
Rebanhão - Mais Doce que o Mel

Não é um absurdo afirmar que Mais Doce que o Mel é, até hoje o álbum de rock cristão nacional mais polêmico que existiu. A começar pela capa, censurada. Isto mesmo, censurada. Ela, esteticamente ia contra a todo um costume da época, com o líder da banda, Janires com a camisa aberta. E o que não dizer das canções? Foram consideradas por muitos como satânicas. A banda, por onde se apresentava fazia sucesso, não totalmente por sua qualidade musical, mas principalmente pelo reboliço que causava dentre os mais tradicionais. O Rebanhão foi vaiado, e até mesmo boicotado em várias de suas primeiras apresentações, mas logo conseguiu respeito por parte do público evangélico.

O sucesso do álbum foi tão grande que, este foi lançado por uma pequena gravadora do Rio de Janeiro e, sem qualquer grande veículo de mídia, Mais Doce que o Mel vendeu mais de 200 mil cópias no Brasil. Sonoramente, destaque para as composições de Janires. Sua poesia em “Mel” e a crítica ao mundo individualista em “Salas de Jantar” garantem o momento mais rock progressivo do álbum. Com influência do tropicalismo, a banda também apresenta “Baião” (até hoje seu maior sucesso) e o choro em “Casinha”, até hoje considerada como uma das canções mais criativas da música cristã nacional. Pedro Braconnot assina “Refúgio”, balada progressiva com influência new age, com interpretação de Carlinhos Felix, que canta metade das canções, também participando como autor.

1º: Armadedom – Katsbarnea (1995)

Armagedon

O primeiro lugar poderia ficar para outros álbuns, mas devido a vários motivos vai para o Katsbarnea. A despedida do gênio Brother Simion foi em alto estilo, com o músico, mais uma vez carregando a banda nas costas. Simion tocou teclado, acordeon, guitarra, compôs todas as músicas (em parceria com Estevam Hernandes) e ainda atuou nos vocais. Álbuns de bandas em que um membro colabora fortemente nas faixas em maioria são cansativos e repetitivos, mas isto não é visto em Armagedom. Paulo Anhaia, como produtor musical, valorizou a pegada experimental da banda. Com a entrada de Déio Tambasco, o grupo ganhou muito. Sendo um excelente guitarrista, o álbum é completo de solos característicos e marcantes. Jadão, mais uma vez não ficou como mero baixista, e seu estilo musical está espalhado por todo o projeto.

Sendo um álbum quase conceitual, as canções de Armagedom versam sobre o caos no mundo e o amor de Deus disponível a todos. Com este foco, a banda passeia por temas como drogas, fim do mundo, noites agitadas, angústia, alegria e hipocrisia religiosa. O projeto também traz várias participações especiais, como a de Esdras Gallo em “Palavras Simples”, Duca Tambasco em “Fariseu” e Jimena em “Get out of Babylon”. Enquanto “Intervalo” é uma brincadeira dos integrantes, a banda aborda seriamente a desilusão humana em “Gênesis”, a canção de maior sucesso do álbum Armagedom, e também um dos principais hits do Katsbarnea.

Este foi o nosso TOP 10. Opiniões? Comente! Se você não conhece algum destes álbuns, recomendamos que conheça.

Tiago Abreu é natural de São Paulo, mora em Goiânia e é contribuidor do Gospel Músikas desde 2012. Estudante de informática para internet, ouvinte e acompanhante assíduo da música cristã brasileira, ouve de tudo um pouco, tentando entender o que se passa nesta área. É apaixonado por pesquisar e conhecer mais a fundo a história da música cristã.